SÃO LUÍS - O desenho como forma de escrita, memória e transmissão de conhecimento. É a partir dessa perspectiva que a artista, educadora e liderança indígena Pataxoop Liça Pataxoop apresenta sua primeira exposição individual em São Luís. “Liça Pataxoop: Minha escrita é o desenho” será aberta ao público no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) na próxima terça-feira (22), às 19h.
A mostra reúne cerca de 80 desenhos feitos por Liça e por jovens da aldeia Muã Mimatxi, em Itapecerica (MG), além de vídeos e uma instalação imersiva. A exposição poderá ser visitada gratuitamente de 23 de setembro de 2026 a 22 de maio de 2027.
Os trabalhos são chamados pela artista de têhêys de pescaria de conhecimentos. Por meio deles, Liça registra saberes, histórias, memórias e relações do povo Pataxoop com o território, transformando o desenho em uma maneira de ensinar e aprender.
Têhêy transforma desenho em forma de escrita
Na tradição Pataxoop, têhêy é o nome dado a um instrumento de pesca confeccionado por mulheres e crianças com tucum e cipó. No trabalho de Liça, a palavra passa a representar também uma ferramenta para “pescar” conhecimentos e transmiti-los entre diferentes gerações por meio das imagens.
“Desde o tempo ancestral, nós ensinamos e aprendemos pelo olhar, o escutar e tudo que fazemos na terra. O têhêy é um pescador de conhecimento da vida, uma escrita do aprendizado que vem da tradição”, afirma Liça.
