As chuvas que atingem áreas produtoras de café do Sudeste estão travando a reta final da colheita e elevando o risco de perda de qualidade dos grãos que permanecem no chão. A previsão é de continuidade do tempo instável nos próximos dias, com novas precipitações principalmente em áreas de São Paulo e Minas Gerais, justamente quando parte das lavouras começa a registrar a abertura de uma nova florada.
“Está a colheita um caos. Eu ainda tenho mais de mil sacos para tirar. Felizmente, o café do pé eu já tirei, mas está difícil varrer o café que está no chão com chuva. Cada vez que chove, tem que aguardar uns quatro dias de sol para voltar a varrer”, relatou à CNN o produtor de café e conselheiro da cooperativa Minasul, Leonardo Resende.
O problema ocorre apesar de a colheita estar próxima do fim em importantes regiões produtoras. Na área de atuação da Cooxupé, os trabalhos haviam atingido 95,4% até 4 de setembro, segundo o último levantamento divulgado pela cooperativa.
São Paulo aparecia com 97,1% da área colhida, seguido pelo Sul de Minas, com 95,9%, Cerrado Mineiro, com 95,4%, e Matas de Minas, com 85%.
No Sul de Minas, o engenheiro agrônomo Silvio Petruci afirma que o problema se concentra agora principalmente na chamada varreção, a retirada dos frutos que caíram no chão. Na avaliação dele, muitos cafeicultores da região ainda têm entre 15% e 20% desse trabalho por concluir, mas as máquinas não conseguem operar enquanto o solo permanece molhado.
