Sinto-me muito à vontade para diferenciar fé de religião. Há 34 anos prego, domingo após domingo, que religião não salva, apenas a fé em Jesus salva.
A fé é um relacionamento diário com Deus, firmado no conhecimento de Sua vontade e na obediência aos Seus mandamentos. A religião, por outro lado, costuma se limitar a um sistema mecânico, muitas vezes restrito ao domingo, no qual o comodismo e a cegueira intelectual chegam a ser exaltados como virtudes.
Converti-me em um tempo no qual professar a fé cristã era visto como algo exclusivo de pessoas iletradas. Hoje, encontramos cristãos atuando no topo da academia e na vanguarda das profissões mais tecnológicas.
Ainda assim, confesso: como pastor que transita nessa interface entre fé e ciência, sinto na pele um estranhamento e uma resistência que parecem saídos da Idade Média. Não tenho dúvida de que luminares da Astronomia como Galileu e Copérnico ainda enfrentariam resistências semelhantes se vivessem em nosso tempo.
Parte expressiva do meio protestante e evangélico parece ter herdado um velho temor inquisitorial: basta mencionar descobertas científicas para que alguns reajam como se ouvissem falar do próprio inferno. Isso tem raízes históricas.
Durante séculos, concepções como o Geocentrismo foram tratadas como dogmas inegociáveis, gerando o receio de que o avanço do conhecimento pudesse desmantelar a existência de Deus.
