*Por Edson Vasconcelos
O Pix já cumpriu a promessa de mudar a forma como os brasileiros transferem dinheiro. Agora, a transformação é mais profunda: ele começa a disputar o espaço ocupado pelos cartões no próprio momento da compra. Em 2025, foram mais de 2 bilhões de pagamentos com Pix nos pontos de venda, alta de 54% em um ano. No mesmo período, o débito recuou 4%. O crédito, porém, cresceu 8%.
A diferença é importante porque mostra que a ferramenta não está simplesmente substituindo os cartões. Está redesenhando a lógica dos pagamentos. Criado em 2020 para facilitar transferências entre pessoas, o sistema rapidamente se transformou em uma infraestrutura de consumo. Em 2025, 43% das operações já eram de pessoas físicas para empresas, contra 15% no lançamento. Hoje, mais de 170 milhões de brasileiros usam o Pix, que movimentou R$ 19,8 trilhões apenas no primeiro semestre de 2026.
O próximo passo é ocupar espaços onde o cartão ainda tem vantagem. O Pix por aproximação tenta reproduzir a experiência do pagamento contactless. O Pix Automático entra nas contas recorrentes. E o Pix parcelado começa a avançar justamente sobre uma das principais fortalezas do cartão: o crédito.
É aí que a disputa fica mais interessante. O cartão não perde relevância apenas porque existe uma alternativa mais barata ou mais rápida. Ele oferece crédito, prazo, benefícios e parcelamento, atributos que pesam especialmente nas compras de maior valor. Por isso, é precipitado falar em “fim do cartão”.
