A fertilização in vitro tornou possível preservar embriões por longos períodos, permitindo que um projeto de maternidade ou paternidade iniciado hoje possa ser retomado anos depois. Tivemos recentemente a notícia de um nascimento a partir de um embrião que ficou 30 anos congelado. Mas o tempo também transforma relacionamentos, planos e circunstâncias. O que acontece quando um casal que congelou embriões se separa e apenas um dos dois deseja utilizá-los?
Essa é uma das questões mais delicadas da reprodução assistida. Um embrião formado a partir dos gametas de duas pessoas carrega o material genético de ambas e está relacionado a um projeto parental que, no momento da fertilização, geralmente era compartilhado. Uma separação pode alterar completamente esse cenário.
Por isso, a decisão sobre o destino dos embriões não deve começar apenas quando surge um conflito. Ela faz parte do próprio planejamento do tratamento.
Decisões que precisam ser tomadas antes
No Brasil, as normas éticas do Conselho Federal de Medicina estabelecem que, antes da geração dos embriões, os pacientes devem manifestar por escrito qual será o destino do material criopreservado em situações como divórcio, dissolução da união estável ou falecimento de uma ou de ambas as partes.
O consentimento informado, portanto, não é apenas uma formalidade administrativa. É uma etapa fundamental do tratamento de reprodução assistida.
