O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, explicou na 2ª feira (14.set.2026) por que intimou, em 24 de agosto, os delegados da Polícia Federal pessoalmente para pedir a identificação dos destinatários de mensagens escritas por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Segundo Mendonça, o fato de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, serem mencionados nas mensagens fez com que ele agisse dessa maneira “por cautela” para garantir a preservação do sigilo.
“Diante da menção direta à pessoa do atual Diretor-Geral da Polícia Federal, bem como do Procurador-Geral da República, por cautela, buscando preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações,sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja, impunha-se, com ainda maior razão, a adoção de providência”, escreveu Mendonça. Eis a íntegra da manifestação (PDF - 174 KB).
O relatório produzido pela PF depois de solicitação de Mendonça está no centro da atual crise no STF. No relatório, um dos interlocutores de Vorcaro foi identificado pela PF como o ministro da Corte Alexandre de Moraes. Em uma das mensagens, Vorcaro pergunta: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei?”.
Vorcaro foi preso em novembro do ano passado depois da deflagração da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Chegou a ser solto, mas foi detido novamente em março deste ano.
