Em uma roda de conversa, pergunte a um adulto qualquer se ele era bom em matemática na escola. Boa parte vai responder que não, e alguns dirão isso até com certo orgulho. Mas ninguém costuma dizer que nunca aprendeu a ler direito. Então, por que não saber matemática parece tão normal?
Divulgados na última terça-feira (8), os resultados do Pisa 2025, avaliação internacional de estudantes coordenada pela OCDE, ajudam a transformar essa impressão em dados. O Brasil somou 377 pontos em matemática, sua pior área entre as três avaliadas.
O desempenho em matemática mudou pouco nos últimos dez anos. Enquanto o Brasil ficou praticamente parado, a média dos membros da OCDE caiu 22 pontos no mesmo período. Não houve melhora, portanto, apenas deixamos de perder terreno, e o país ainda ocupa a 71ª posição entre as economias avaliadas.
Se a queda atravessa países ricos e pobres, a pergunta deixa de ser por que o Brasil vai mal em matemática. Passa a ser outra: o que essa disciplina tem de diferente, que a torna tão mais difícil de ensinar do que as demais?
Ouvidas pelo CNN Brasil, duas organizações que trabalham com estudantes da rede pública brasileira buscaram responder a essa pergunta, a partir de escalas bem diferentes de atuação. Apesar das diferenças, as duas chegam a uma conclusão parecida: matemática é a matéria que mais depende dos conteúdos que ficaram pelo caminho.
Onde os conteúdos de matemática começam a se perder?
O tamanho do problema aparece cedo na vida escolar.
