Quem passa alguns minutos no TikTok já deve ter esbarrado em vídeos que explicam “gatilho”, “trauma” ou “apego ansioso” em uma linguagem que parece saída de um consultório de psicologia. Será que estamos aprendendo a falar de nós mesmos, ou só decorando novos termos dos quais não temos a menor ideia?
Para tirar isso a limpo, a pesquisadora Zoe Stephens, do Scripps College, nos EUA, submeteu 95 universitários americanos, de 18 a 24 anos, a vídeos do TikTok com therapy-speak, algo como “terapeutiquês” em uma tradução livre, ou a vídeos neutros. Em seguida, os participantes preencheram questionários sobre alfabetização, consciência e estigma em saúde mental.
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O resultado foi particularmente provocador: quem assistiu aos vídeos relatou ter ficado mais atento sobre a própria saúde mental, mas não melhorou o conhecimento técnico sobre o assunto. Além disso, houve um sinal de aumento do estigma, mas o resultado perdeu significância estatística após uma correção mais exigente.
Há na pesquisa esse lado positivo: pessoas que nunca pensaram sobre saúde mental passaram a reconhecer que determinados comportamentos ou sentimentos merecem atenção. Já o letramento, a capacidade de reconhecer sintomas e entender conceitos, não mudou entre os dois grupos.
