As anotações digitadas no bloco de notas do iPhone do ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram tratadas pela PF (Polícia Federal) como mensagens enviadas ao ministro Alexandre de Moraes: é nesse ponto que a defesa entregue na madrugada desta terça-feira (15) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) ao presidente da Corte, Edson Fachin, concentra um de seus argumentos técnicos.
Segundo Moraes, o relatório produzido pela Polícia Federal por determinação do ministro André Mendonça constrói suas conclusões a partir de textos escritos no bloco de notas do iphone do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero.
Alexandre Moraes afirma que esses textos do bloco de notas foram tratados como se fossem mensagens enviadas a ele, Moraes, sem que o relatório da PF demonstre que chegaram a ser enviadas a alguém.
O ofício descreve a correlação em duas etapas. A primeira é a criação do texto no bloco de notas e a geração de um arquivo de imagem pelo próprio sistema do aparelho, um print (captura de tela).
A segunda é a estimativa temporal: se houve interação no WhatsApp logo depois da criação do arquivo, o relatório presumiria que aquela interação continha a anotação, segundo Alexandre de Moraes.
“Presume-se, sem qualquer efetiva comprovação“, escreve Moraes, que destaca o verbo em letras maiúsculas no documento.
