Os líderes da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte assinaram nesta segunda-feira, 14, um pacto que ameaça levar à fragmentação do Reino Unido. Os primeiros-ministros das três regiões semiautônomas pediram ao primeiro-ministro Andy Burnham que prepare o governo para uma mudança constitucional. Segundo eles, o futuro dos três territórios está na União Europeia.
"Para as pessoas que assistem a tudo isso nestas ilhas e ao redor do mundo, não poderia haver sinal mais claro de que o tempo de Westminster está chegando ao fim", afirmaram no memorando de entendimento, em referência ao Parlamento britânico.
O porta-voz de Burnham minimizou a ameaça. Segundo Tom Wells, o primeiro-ministro acredita firmemente na união e está mais focado em reduzir o custo de vida do que em debater mudanças constitucionais.
"O Reino Unido é melhor quando as pessoas se unem em torno de nossos valores compartilhados e da resolução de problemas, em vez da divisão", disse Wells.
Nicola McEwen, diretora do Centro de Políticas Públicas da Universidade de Glasgow, afirmou que a cúpula tem importância simbólica, mas não tem efeito legal.
"Não vejo a ameaça à união sendo maior hoje do que era ontem", afirmou.
Contexto histórico
No fim dos anos 1990, o Reino Unido aprovou leis que descentralizaram o governo por meio do processo de devolução, dando a cada país, exceto a Inglaterra, algum nível de autonomia política e autogoverno por meio de seus próprios parlamentos.
