A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) ofereceu um imóvel em Teresina e mais R$ 3 milhões como garantia para tentar recuperar bens bloqueados no âmbito da Operação Compliance Zero. Entre os itens atingidos pelas medidas judiciais estão um jatinho, uma BMW e mais de R$ 10 milhões em ativos financeiros.
Os advogados atribuíram ao imóvel o valor de aproximadamente R$ 19 milhões. No entanto, documentos de compra e venda mostram que a CNFL, empresa ligada ao parlamentar, pagou R$ 3,3 milhões pela propriedade em 2023. A aquisição inclui quatro lotes e uma casa construída no local.
Assim, a avaliação apresentada pela defesa equivale a quase seis vezes o valor pago pelo imóvel três anos antes. O terreno possui área total de 6,9 mil metros quadrados.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) contestou a proposta. Segundo o órgão, existe uma “expressiva disparidade” entre os valores registrados nas escrituras e as avaliações produzidas pelos requerentes.
O que diz a PGR
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também afirmou que o imóvel oferecido seria de difícil conversão em dinheiro e sustentou que a manutenção das restrições patrimoniais busca impedir a continuidade de possíveis práticas criminosas.
Para a PGR, o terreno e os R$ 3 milhões adicionais não garantem o montante dos supostos danos investigados no Caso Master.
O pedido foi encaminhado em junho ao ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
