Poucas coisas aproximam tanto o público da astronomia quanto uma boa imagem. Há décadas, capturas feitas por telescópios e sondas ajudam a revelar estruturas invisíveis ao olho humano e apresentam uma versão visual de fenômenos que acontecem a milhões ou bilhões de quilômetros da Terra. O avanço da Inteligência Artificial (IA), no entanto, coloca essa confiança em risco: hoje, a linha que separa o registro científico legítimo de uma mera invenção digital é cada vez mais tênue.
O desafio não está apenas na capacidade de criar fotografias falsas. A astronomia trabalha com imagens que passam por diferentes etapas de processamento antes de chegar ao público. Para quem não conhece esses procedimentos, uma fotografia verdadeira, uma composição de dados, uma simulação e uma criação feita por IA podem parecer coisas semelhantes.
É nesse ponto que a divulgação científica ganha uma responsabilidade adicional. Além de apresentar descobertas e explicar fenômenos, passa a ser necessário contextualizar as imagens que acompanham essas informações e deixar claro o que foi observado, como os dados foram obtidos e que tipo de representação está sendo apresentada.
Casos reais mostram como a IA amplificou a desinformação na astronomia
E essa dificuldade não começou com a IA generativa.
