O crescimento da abstenção eleitoral no Brasil -que atingiu mais de 32 milhões de eleitores no último pleito presidencial- decorre de exaustão mental, solidão e dependência digital. É o que aponta o estudo inédito Termômetro do Bem Viver, conduzido pelo Datafolha em parceria com o projeto Desapocalíptica, da organização cívica Avaaz.
A pesquisa mapeou a conexão dos brasileiros em relação à comunidade, à preservação ambiental e à convivência social, dividindo a população internauta em 3 perfis: vinculados (29,4%), relativamente vinculados (64%) e desvinculados (6,6%). Eis a íntegra da pesquisa (PDF - 2mB).
Entre os eleitores classificados como desvinculados, quase metade (47%) declarou ter deixado de votar ou votar raramente -sendo que 27% deram nota zero de frequência às urnas, indicando abandono do processo eleitoral. Em contraste, 94% dos eleitores com alto grau de vínculo comunitário afirmaram ter comparecido e votado nas últimas eleições.
A juventude é a parcela mais afetada pela ruptura de laços coletivos: 44% dos entrevistados de 18 a 34 anos estão no grupo dos desvinculados. Entre os vinculados, 78,3% têm 35 anos ou mais.
APOIO À DEMOCRACIA CAI ENTRE DESVINCULADOS
O distanciamento das urnas vem acompanhado de menor adesão ao regime democrático. Enquanto 79% dos vinculados consideram a democracia um valor inegociável -declarando que não abririam mão do sistema por nenhum governo-, a taxa recua para 30% entre os desvinculados.
