Mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) mostram que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) dizia ter acesso direto ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), e que faria pedidos relacionados a processos na Corte sob relatoria do magistrado.
Os diálogos constam da decisão do ministro Flávio Dino que autorizou buscas contra o parlamentar, alvo de operação da PF nesta segunda-feira (14). Ele é investigado por suspeitas de “exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro”.
Em uma das conversas, Cezinha afirma que falaria por vídeo com Nunes Marques e que faria um pedido ao ministro. Dois processos citados pela investigação tinham contratos com pagamentos condicionados ao resultado, um previa valores que somavam R$ 3 milhões e outro, R$ 500 mil.
Segundo Dino, a PF aponta indícios de que Cezinha utilizava “a ascendência de sua função parlamentar para incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de tribunais superiores”.
Cezinha atuava em casos acompanhados pelos escritórios de sua mulher, Valéria Rodrigues Linhares, e de Mariângela Fialek, servidora da Câmara e ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), segundo relatório da PF.
Um dos contratos foi firmado com Denis de Souza Macedo, ex-secretário de Educação de Belford Roxo (RJ), preso em 2025 em uma operação da PF que apurou supostos desvios de R$ 112 milhões em recursos do Fundeb e do PNAE.
