O que parece ser apenas a história de um casal em The Early Spring revela, conforme a trama avança, duas pessoas presas em uma teia de inseguranças, feridas e uma enorme dificuldade em verbalizar o que realmente sentem.
Flora começa essa história acreditando que talvez não esteja à altura de Luke. Ela está construindo a própria carreira, tentando encontrar seu espaço e, principalmente, tentando provar para si mesma que consegue caminhar com as próprias pernas.
Só que, em alguns momentos, essa necessidade de independência acaba fazendo com que ela tome decisões sem incluir Luke.
E Luke também está longe de ser perfeito.
Ele é duro, arrogante, fala sem pensar e, muitas vezes, acaba machucando justamente a pessoa que mais ama.
Mas existe uma camada no personagem que, para mim, torna a história dele ainda mais interessante: Luke percebe que estava repetindo com Flora o mesmo comportamento que sofreu do próprio pai.
E quando ele percebe isso, começa uma das partes que mais gostei na história: ele decide romper esse ciclo.
Luke reconhece os próprios erros, pede desculpas, muda suas atitudes e entende que amar alguém não é simplesmente querer aquela pessoa ao seu lado.
É aprender a fazer diferente.
E é aí que, para mim, The Early Spring deixa de ser apenas uma história de romance.
Porque os dois erraram.
O silêncio cobrou seu preço: a falta de diálogo foi corroendo a relação, transformando pequenas desavenças em uma distância emocional quase intransponível entre eles.
