O maniqueísmo costuma ser burro. Ao dividir o mundo entre bons e maus, simplifica realidades complexas e substitui a reflexão.
Mas há momentos em que a realidade se apresenta brutalmente simples. Nesses casos, burra ou maliciosa é a tentativa de embaçar o óbvio e inventar complexidade.
A situação atual do STF nos coloca diante de uma dessas encruzilhadas em que se exige de nós maniqueísmo.
Nesta terça-feira (15), ou o tribunal expurga de seus quadros os métodos representados por Alexandre de Moraes e pela ala da qual é porta-voz, ou eles acabarão com o STF e farão dele uma Corte contrária aos interesses do Brasil.
Certos setores da imprensa e da esquerda, o que dá no mesmo, tentam embaralhar essa realidade, criando uma falsa equivalência entre Moraes e Mendonça. A estratégia é não prejudicar a campanha de Lula, parceiro de fé e irmão camarada da ala de ministros ligada a Moraes.
Poupar Moraes seria uma forma de aumentar as chances de a esquerda vencer as eleições.
Mas essa tentativa de tornar complexo o que é simples precisa ser driblada. O óbvio diante de nós é que há suspeitas de que Moraes tenha usado suas relações com Vorcaro para eventualmente cometer crimes graves, como advocacia administrativa e talvez até corrupção passiva.
Contra Mendonça, a acusação mais séria é a de que teria cometido erros jurídicos durante as investigações. A comparação é desonesta. Estamos diante de um daqueles momentos históricos em que o maniqueísmo é exigido.
