Uma das fotos mais emblemáticas da derrota do Brasil para o Uruguai, na partida decisiva da Copa de 1950, é a do volante Danilo Alvim, chamado de “o príncipe”, chorando copiosamente, ainda no gramado do Maracanã, amparado pelo radialista Jayme Moreira. Nascido no Rio de Janeiro, em dezembro de 1920, morreu amargurado em 1996, aos 75 anos. O atleta marcou época no América-RJ, Vasco e Botafogo. Quando era adolescente, quebrou as duas pernas ao ser atropelado e recebeu 39 pontos. Contrariando qualquer prognóstico médico, conseguiu ser jogador de futebol.
Em 1971, Danilo concedeu uma entrevista histórica para a Revista Placar: “O drama do príncipe de 50”. Talvez seja o depoimento mais marcante de um integrante da seleção brasileira que perdeu a Copa em 16 de julho de 1950. Sentado nas arquibancadas do Maracanã, estádio construído para o mundial, ele estava com 50 anos, mas, pelas fotos, parecia mais velho. “Era muito duro, muito duro, saber que nós tínhamos de começar tudo de novo. Aquilo não foi simplesmente uma derrota, foi uma desgraça que se abateu sobre toda uma notável geração de jogadores. Indiretamente, a perda da Copa de 50 atingiu a todos, os que jogaram e os que não jogaram. A cidade parecia um cemitério, e eu me sentia como um dos culpados por tudo aquilo. Parecia que todos me olhavam com raiva.
