O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) entraram com uma ação civil pública para impedir a operação do Data Center Pecém, empreendimento atribuído ao TikTok em Caucaia (CE). O processo, protocolado em 4 de setembro, aponta falhas no licenciamento ambiental do projeto, orçado em R$ 200 bilhões.
As duas instituições pedem à Justiça uma decisão cautelar que suspenda o início das atividades, previsto para 2027, até que um novo processo de licenciamento seja concluído. São alvos da ação a Omnia, dona do empreendimento, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace), o governo estadual e a prefeitura de Caucaia.
Por que o MPF e a DPU questionam o projeto
O principal argumento das entidades é que a Semace liberou o data center por meio de um RAS (Relatório Ambiental Simplificado), modelo destinado a empreendimentos de baixo ou médio impacto, como kartódromos ou parques de vaquejada. Para os procuradores, a escala do projeto exigiria um EIA/Rima, estudo mais completo previsto pelo Conama para casos de dúvida sobre o real impacto de uma obra.
MPF e DPU também identificaram inconsistências nos números apresentados pela Omnia. A licença prévia previa consumo de 19,7 mil litros de água por dia, valor que subiu para 144 mil litros por dia na licença de instalação. O projeto promete energia 100% renovável, mas terá 120 geradores a diesel como sistema de redundância em caso de falhas no fornecimento.
