Os operadores planejam entregar volumes significativos de café arábica do Brasil, maior produtor mundial, aos armazéns da bolsa ICE, onde os estoques caíram para os níveis mais baixos em 26 anos e impulsionaram os preços, segundo afirmaram corretores, intermediários e analistas a par do assunto.
O contrato de café arábica operado pela ICE Futures U.S., que funciona como referência global para a precificação do café, atingiu em julho a maior cotação em seis meses, acima de US$3,5 por libra-peso.
E tem se mantido próximo desse nível, apesar das expectativas do mercado de um superávit substancial na safra de 2026/27.
Analistas do setor afirmam que a principal razão para a manutenção dos preços elevados, ainda em torno de US$3 por libra-peso, é o baixo nível dos estoques de arábica da ICE, dos quais cerca de 70% estão armazenados em Antuérpia, na Bélgica.
Os embarques do Brasil têm potencial para mais que dobrar os estoques certificados pela ICE, que exercem grande influência sobre os preços, pois são uma medida clara da quantidade de café excedente disponível para entrega à bolsa.
Muitos fundos orientados por algoritmos são programados para vender automaticamente quando os estoques da bolsa aumentam e para comprar quando eles caem.
Duas fontes afirmaram que a gigante comercial Olam está buscando certificar de 150.000 a 200.000 sacas na bolsa a tempo para entrega contra o contrato futuro de dezembro.
