Se uma ameaça terrorista levasse especialistas a alertar sobre um perigo existencial iminente à humanidade, o peso do governo dos EUA se mobilizaria em um esforço imediato e ilimitado para salvar a situação.
No entanto, uma notável sequência de alertas de líderes de empresas de inteligência artificial, de que sua criação pode em breve superar a capacidade humana de controlá-la, foi recebida, até agora, com indiferença pelos republicanos que governam Washington.
O presidente Donald Trump afirmou no domingo (13) que “forças negativas” estavam inventando “coisas que não vão acontecer”. O presidente da Câmara, Mike Johnson, rejeitou o apelo para aprovar uma legislação de emergência, dizendo ao apresentador Jake Tapper, da CNN, que os executivos de IA “que empurram a fronteira” poderiam desacelerar se quisessem, mas que o Congresso não deveria agir às pressas.
Ambos também alertaram que desacelerar a indústria de IA dos EUA entregaria a vantagem na corrida pela superinteligência à China, enquadrando o debate menos como uma questão de segurança e mais como uma questão de segurança nacional.
A inércia republicana contrasta com os crescentes alertas de democratas importantes, incluindo o ex-presidente Barack Obama, de que, sem um freio imposto pelo governo à tecnologia, o mundo cruzaria um limiar “perigoso”.
Um ponto de virada político
O crescendo de preocupação, especialmente por vir dos próprios titãs da indústria de IA, parece um momento político divisor de águas.
