A produção de laranja e o mercado de suco entra em um ciclo de seletividade econômica, em que apenas produtores profissionais tende a sobreviver. A recomposição dos estoques, a demanda internacional menos aquecida e a queda das cotações reduzem o suporte aos preços, enquanto a estrutura de custos permanece pressionada pelo avanço do greening (doença fúngica que atinge os pomares), pela necessidade de manejo mais intensivo e por relações de troca menos favoráveis para insumos relevantes.
Nesse ambiente, a diferença entre produtores tende a aumentar: escala, irrigação, sanidade do pomar, tecnologia e eficiência operacional passam a ser determinantes para preservar margem e um cenário de preços menos remuneradores. A constatação é da consultoria em agro do banco Itaú BBA.
Do ponto de vista produtivo, o quadro segue condicionado por dois vetores de risco. O primeiro é estrutural, associado ao greening, que continua elevando custos, reduzindo produtividade e redesenhando a geografia da citricultura.
O segundo é climático: embora o próximo ciclo 2026/27 tenda a ser favorecido pela bienalidade positiva e por uma safra naturalmente maior. A materialização do El Niño forte ou muito forte traz maior irregularidade climática com temperaturas elevadas por
dias consecutivos.
