Depois de três anos marcados por queda nas commodities, margens comprimidas, juros elevados e aumento das recuperações judiciais, o agronegócio brasileiro pode estar começando a sair do fundo do ciclo de baixa. Essa é a avaliação da SFA Investimentos, que vê uma combinação de preços dos grãos em recuperação, estoques globais mais apertados e novas fontes de demanda capaz de sustentar uma melhora do mercado nos próximos anos.
Em relatório publicado em setembro, a gestora afirma que os preços dos grãos estavam, em agosto de 2026, 32% acima das mínimas registradas em agosto de 2025. Para a SFA, o movimento é um dos primeiros sinais de que o ciclo pode estar mudando de direção.
A leitura, porém, não significa que o produtor já tenha deixado a crise para trás. O próprio relatório reconhece que os resultados das empresas ainda demoram a reagir à melhora das commodities.
A tese da gestora é de antecipação: o mercado de grãos pode estar virando antes de essa recuperação aparecer integralmente nos balanços.
Entre o pico de 2022 e o fundo de 2024, a soja negociada em Chicago caiu 43%, enquanto a saca em Mato Grosso recuou perto de 49%. No mesmo período, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro saltaram de 534, em 2023, para quase 2 mil em 2025, segundo os números utilizados pela SFA.
China continua sendo o principal risco
Um dos principais pontos de atenção para a agricultura brasileira é a perspectiva de menor crescimento da demanda chinesa por soja.
