Há instituições que são julgadas não apenas pelo que dizem, mas pelo momento em que escolhem falar e pela intensidade com que o fazem. A Ordem dos Advogados do Brasil construiu parcela relevante de sua autoridade pública exatamente porque, em episódios decisivos da história brasileira, recusou a posição confortável de simples espectadora. É por isso que sua atuação diante da crise desencadeada pelas investigações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro merece ser analisada sem complacência.
A própria história institucional da OAB desmente qualquer tentativa de reduzi-la a uma entidade corporativa preocupada apenas com prerrogativas profissionais. A Ordem orgulha-se de ter participado de momentos centrais da vida republicana. Enfrentou o autoritarismo do Estado Novo, esteve presente na resistência ao regime militar, participou do processo de abertura política, apoiou a anistia, teve protagonismo nas Diretas Já, acompanhou a Constituinte e, em 1992, o Conselho Federal, ao lado da Associação Brasileira de Imprensa, apresentou o pedido de impeachment de Fernando Collor.
É por isso que o contraste com a postura atual envergonha tanto.
É fato que o Conselho Federal não permaneceu absolutamente inerte. Beto Simonetti afirmou publicamente que o Supremo Tribunal Federal não pode trabalhar com “réguas diferentes” quando os questionamentos alcançam seus próprios integrantes.
