A inteligência artificial parece começar a ocupar um espaço cada vez mais íntimo na vida afetiva da Geração Z. Embora os jovens brasileiros ainda não estejam, de forma geral, substituindo relacionamentos humanos por sistemas artificiais, a tecnologia já passou a desempenhar funções antes associadas aos vínculos pessoais, como ouvir, acolher e oferecer apoio emocional.
A avaliação é da psicóloga clínica Débora Telles, especialista em comportamento humano e desenvolvimento. Segundo análise apresentada pela profissional, o avanço da chamada intimidade artificial está relacionado não apenas ao interesse pela tecnologia, mas também ao cenário de solidão enfrentado por parte dos jovens.
Para Telles, a tendência não indica necessariamente uma substituição consciente dos relacionamentos humanos. O que ocorre, inicialmente, é uma transferência de funções específicas do vínculo para a tecnologia, como escuta, disponibilidade e ausência de julgamento.
“É terceirização parcial de funções específicas do vínculo: escuta, disponibilidade, ausência de julgamento”, afirma a psicóloga. Ela ressalta, porém, que o desenvolvimento de sentimentos não é completamente racional e que uma pessoa pode se perceber emocionalmente envolvida com uma IA mesmo acreditando que isso seria impossível.
Um dos efeitos mais relevantes apontados pela psicóloga está na maneira como os jovens passam a definir o que significa ser compreendido em uma relação.
