Quando pensamos no Supremo Tribunal Federal (STF), temos 11 ministros (apesar de uma cadeira estar vaga), cada um deles com três magistrados, juízes auxiliares, e mais 31 servidores. Em uma conta rápida, temos 385 funcionários diretos. No entanto, toda a força de trabalho representa aproximadamente 2.640 funcionários, com um orçamento, em 2026, de R$ 1,099 bilhão. Para entender o tamanho do problema, a Suprema Corte dos Estados Unidos tem 587 funcionários; na Alemanha, são 270; e, na Inglaterra, 59. Talvez tenhamos uma anomalia.
Naturalmente, não é um problema apenas do STF. O Judiciário brasileiro, se fosse um caso clínico, poderia ser comparado a um “adenocarcinoma ductal pancreático”: apresenta poucos sintomas no início, é frequentemente descoberto tardiamente, pode se espalhar rapidamente e matar o paciente. Segundo a metodologia internacional utilizada pelo Fundo Monetário Internacional, o Judiciário nacional custa 1,43% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para saber se esse câncer se espalhou, vamos comparar esse custo ao dos países emergentes, ao dos países avançados e à média mundial. Nos países emergentes, o custo é de 0,53% do PIB; nos países avançados, de 0,28%; e, na média mundial, de 0,37%. Em todos os casos, temos um Judiciário significativamente mais caro, proporcionalmente ao tamanho da economia.
Os defensores do STF vão dizer que temos muitos julgamentos e, por isso, temos muitos gastos.
