Em GTA 6, abastecer o carro exigirá segurar um botão por dez segundos no posto. A polícia memoriza a roupa que você está usando, o veículo em que fugiu e se Jason e Lucia foram vistos juntos no momento do crime. Um índice de reputação pesa contra quem exagera na violência e a favor de quem, sem motivo nenhum, joga o próprio lixo no lixo. Nenhum GTA tentou simular o cotidiano com esse nível de detalhe antes.
É muita coisa para processar de uma vez. E é ainda mais estranho lembrar que essa mesma franquia começou em 1997 com carrinhos vistos de cima, gráficos toscos e uma cidade que cabia inteira numa única tela. Como uma série que nasceu assim virou a principal referência técnica, comercial e criativa da indústria de games?
A resposta não está em GTA 6. Está nos quase 30 anos de história da franquia, numa sequência de jogos que, um de cada vez, resolveram um problema que o anterior tinha deixado em aberto. Esta é a história dessa sequência, ato por ato.
Ato 1: Antes de GTA existir como conhecemos
Grand Theft Auto (1997): a cidade como playground criminal
O Grand Theft Auto original não inventou o mundo aberto: outros jogos já ofereciam cenários exploráveis antes dele. O que a DMA Design colocou no centro da experiência foi a liberdade irrestrita dentro de uma cidade que reagia ao caos provocado pelo jogador.
Era possível ignorar completamente os objetivos, roubar qualquer veículo e observar a polícia escalar sua resposta conforme a bagunça aumentava.
