A “taxa das blusinhas” nasceu de uma discussão legítima: como proteger a indústria brasileira diante do crescimento acelerado das plataformas internacionais de comércio eletrônico?
A cobrança de 20% sobre compras de até US$ 50 foi criada justamente nesse contexto, com o objetivo reduzir uma assimetria entre produtos vendidos por empresas brasileiras, sujeitos à tributação, e aqueles comprados diretamente de varejistas estrangeiros.
O problema é que, quando falamos de moda, uma discussão aparentemente econômica rapidamente se transforma em uma discussão sobre acesso.
Um levantamento da Proteste mostra que 92% dos consumidores consideram acertado tornar definitivo o fim do imposto, enquanto 88% defendem que o Congresso priorize a medida.
Mais interessante, porém, é observar quem está do outro lado dessa conta.
A cobrança atingiu um mercado que já vinha crescendo justamente entre consumidores que encontraram no comércio internacional uma alternativa ao varejo tradicional. Segundo levantamento da Global Intelligence and Analytics com dados da Receita Federal, o volume de encomendas de baixo valor caiu 19,5% depois da implementação da taxa.
E, entre os mais afetados, estão consumidores das classes C, D e E.
Durante anos, discutimos a democratização da moda como uma conquista: roupas que antes estavam restritas a determinados grupos sociais passaram a chegar a consumidores com diferentes níveis de renda.
