No Brasil atual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se consolidaram como referências afetivas de campos opostos. Para muitos eleitores, eles simbolizam pertencimento, ameaça, esperança, medo ou raiva. Mas ainda que a imagem de um país dividido em 2 blocos equivalentes seja muito forte e disseminada, essa é uma visão incompleta do comportamento dos eleitores.
Para captar as nuances desse cenário, comparamos 2 levantamentos nacionais que cobrem duas décadas. O 1º, realizado em 2006, ouviu 2.400 pessoas e mediu sentimentos em relação a Lula e Geraldo Alckmin (PSB). O 2º, feito em maio de 2026, com 1.500 entrevistas, abordou Lula e Bolsonaro como referências dos principais campos políticos nacionais. As duas pesquisas foram realizadas presencialmente, face a face, com amostras representativas da população brasileira.
Conduzida pelo FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), a pesquisa mostrou que 69% dos brasileiros não se enquadram no perfil de uma polarização afetiva estrita. Ela se dá quando os sentimentos positivos em relação ao próprio campo político se combinam com sentimentos negativos e rejeição ao campo oposto. Ou seja, adesão positiva a um grupo e ódio ao oposto.
Não se trata apenas de preferir um candidato, mas de gostar de um lado e, sobretudo, rejeitar o outro.
