Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de materiais recicláveis encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas de uma clínica desativada na capital de Goiás.
A descoberta deu início ao que se tornaria o maior acidente radiológico da história do país.
Roberto dos Santos e Wagner Mota recolheram o aparelho e o levaram para um ferro-velho para desmonte. Dentro do dispositivo, estava uma cápsula cilíndrica contendo um pó azul de brilho impressionante.
Eles abriram a cápsula, manusearam o pó e decidiram levar parte dele para mostrar aos familiares. A distribuição do césio-137 pela cidade foi rápida, e os efeitos da contaminação foram devastadores.
Doença misteriosa
Nos dias seguintes, diversas pessoas começaram a apresentar náusea, vômito, queimaduras na pele e fraqueza intensa. Os sinais foram confundidos com outras doenças, o que atrapalhou o processo de identificação e atrasou a resposta das autoridades.
Quando o contato com o pó brilhante e a cápsula foi apontado como elo em comum entre os doentes, uma atitude por pouco não transformou o acidente em tragédia ainda maior.
O físico nuclear Walter Mendes Ferreira conta que o Corpo de Bombeiros foi chamado para fazer o descarte do material, que quase foi atirado no rio. Foi neste momento que a radiação emitida pelo pó foi medida, comprovando a gravidade da situação.
