Comparar duas promoções corriqueiras de supermercado, uma oferecendo 20% de desconto no produto e outra anunciando “leve 3 e pague 2”, pode parecer uma questão boba, resolvida com duas contas simples. Mas é o tipo de situação que pode travar a maioria dos adolescentes brasileiros.
Divulgados nesta terça-feira (8), os resultados do Pisa 2025 mostram que apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar básico. Na média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), organização que aplica a avaliação, a proporção é de 65%.
Esse nível básico não cobra nenhuma fórmula decorada. Ele só verifica se o estudante consegue interpretar uma situação relativamente simples sem que ninguém lhe diga qual operação usar, comparar o tempo de duas rotas, converter preços para outra moeda, reconhecer que aquele problema do dia a dia cabe em uma conta.
Para Jalman Lima, mestre em matemática, o resultado aponta para um problema mal compreendido. “A dificuldade não está apenas em fazer contas. Está principalmente em usar a matemática com autonomia diante de uma situação que não diz explicitamente qual operação deve ser feita”, explica o gerente da Casio Educação à CNN Brasil.
