Amanhece uma manhã úmida e fria do inverno austral em um bairro popular do nordeste de Montevidéu, no Uruguai, uma região onde predominam casas pequenas de blocos ou tijolos sem reboco.
É sexta-feira e, na maioria das residências, as crianças se preparam para ir à escola e os adultos, para sair ao trabalho.
Diante de uma delas, param duas motos com quatro pessoas usando capacetes. Duas pulam o muro de entrada e mentem, “Polícia!”, para que lhes abram a porta.
Em seguida, abrem fogo: crivam cinco pessoas de balas. Essas foram 5 das quase 200 vítimas de homicídio no Uruguai no primeiro semestre do ano.
Segundo as primeiras versões policiais, tratou-se de mais um ato de vingança em um longo confronto entre dois clãs familiares dedicados ao narcotráfico há pelo menos cinco anos.
Na capital uruguaia e arredores, a taxa de homicídios nos últimos cinco anos oscila entre 16 e 18 por 100 mil habitantes, enquanto em todo o país gira em torno de 10 por 100 mil.
É um crime que vem registrando aumento estatístico no último meio século e que representa a principal preocupação dos uruguaios, segundo pesquisas.
A angústia da população deságua em debates políticos, pedidos de renúncia por parte da oposição e exigências de mão dura e soluções drásticas.
É uma situação não muito diferente daquela vivida pela maioria dos países da América Latina.
“Mais policiais, mais prisões e penas mais severas. Historicamente, essa foi a fórmula do fracasso.
