No bioma Cerrado, onde a produtividade das lavouras de grãos está diretamente relacionada ao regime de chuvas, a ocorrência de um El Niño de alta intensidade pode alterar o balanço hídrico e trazer desafios aos produtores rurais. Nesse sentido, o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) e o manejo do solo e da lavoura, com práticas conservacionistas e de gestão, podem aumentar a resiliência dos sistemas produtivos e mitigar os efeitos do fenômeno climático.
Enos (El Niño-Oscilação Sul) é um fenômeno natural periódico, com intervalos de dois a sete anos, que acopla o oceano e a atmosfera no Pacífico Equatorial, alternando-se entre fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e períodos de neutralidade, que afetam as temperaturas e o regime de chuvas em todo o planeta. As fases do El Niño são identificadas quando a média móvel da temperatura na superfície do mar permanece igual ou superior a +0,5 °C em relação à média histórica por, no mínimo, 5 meses consecutivos, enquanto eventos do La Niña são caracterizados por anomalias iguais ou inferiores a -0,5 °C em relação à média histórica pelo mesmo intervalo de tempo. Nos anos considerados neutros, as médias móveis de temperatura ficam entre esses limites.
De acordo com o pesquisador Fernando Macena, da Embrapa Cerrados (DF), os dados oceanográficos e atmosféricos mais recentes mostram que o Oceano Pacífico equatorial atravessa um aquecimento expressivo.
