Durante anos, a inteligência artificial foi apresentada como uma grande aliada da cibersegurança. Ela identifica ameaças, detecta comportamentos anômalos e ajuda empresas a responder ataques com velocidade inédita. Mas um relatório divulgado pela Anthropic mostra um lado preocupante dessa tecnologia: criminosos e grupos de espionagem também estão aprendendo a utilizar IA para tornar seus ataques mais rápidos e difíceis de detectar.
O documento revela que atores ligados à Rússia utilizaram modelos da família Claude para automatizar etapas de operações cibernéticas. Em vez de usar a IA apenas para escrever códigos ou responder perguntas técnicas, esses grupos passaram a empregá-la como uma espécie de assistente operacional, capaz de pesquisar alvos, preparar campanhas de phishing, configurar infraestrutura de ataque e modificar códigos maliciosos para escapar de mecanismos de segurança.
O caso representa uma mudança importante na evolução do cibercrime. A inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio ao atacante e começa a participar de diversas etapas da chamada cyber kill chain, o ciclo de um ataque digital. Os criminosos podem criar fluxos automatizados em que a IA executa tarefas repetitivas e adapta ferramentas quando encontra barreiras de segurança.
Entre os episódios descritos está uma operação atribuída com alto grau de confiança a um grupo compatível com o perfil da organização conhecida como Midnight Blizzard, associada à inteligência russa.
