Pouca gente lembra, mas no final do século passado circulou em todo o Brasil a revista chamada Bundas, com conteúdo de humor político na linha do jornalismo consagrado pelo Pasquim.
Quase completamente esquecido da mesma, resgatei em um sebo há alguns dias, ainda em bom estado de conservação, alguns exemplares da referida revista.
Em uma das edições, a de número 48, um de seus colaboradores Sérgio Augusto, explicava a escolha do título da revista, citando a palavra Bunda como a mais bonita da língua portuguesa:
“ Tenho para mim que quando alguém me pede uma palavra bonita a escolha seja ditada mais pela eufonia do que pela expressividade semântica. É o som e não o sentido que embeleza ou enfeia um vocábulo. Pelo menos os poetas deveriam saber disso. Alguns não sabem, daí o prestígio de vocábulos como liberdade, democracia, esperança entre os bardos da terra. Baudelaire e Joyce teriam ficado horrorizados com essas escolhas. Para Baudelaire a palavra mais bonita da língua francesa era hemorróides. Joyce preferia cuspidor que, na língua dele, também significava escarradeira, mas que, evidentemente, soa mais agradável aos ouvidos quando pronunciada à irlandesa.
