O avanço do El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano pacífico Equatorial, traz um alerta para além das condições meteorológicas. O fenômeno impulsiona episódios de temperaturas elevadas, baixa umidade e queimadas em diversas regiões.
O cenário de estresse térmico exige um esforço suplementar do organismo para tentar dissipar o calor e manter a temperatura corporal estabilizada, o que pode sobrecarregar órgãos vitais como o coração e o cérebro.
Por que o calor extremo sobrecarrega o coração?
Para esfriar o corpo diante de temperaturas altas, o organismo promove a vasodilatação e aumenta a circulação de sangue na pele, além de intensificar a produção de suor. O mecanismo força o coração a trabalhar mais, o que acelera os batimentos para conseguir manter a pressão arterial adequada.
No entanto, a transpiração excessiva sem a devida reposição provoca a perda de água e de eletrólitos essenciais, como sódio e potássio. O processo resulta em desidratação e hemoconcentração (quando o sangue se torna mais denso devido à redução do volume circulante), além de alterar a atividade elétrica do miocárdio.
“Quando a temperatura sobe, o coração precisa trabalhar mais justamente em um momento em que a desidratação pode reduzir o volume circulante. Por conta disso, a perda de eletrólitos pode favorecer alterações do ritmo cardíaco”, explica o médico Nilton Carneiro, cardiologista do Hospital Santa Catarina - Paulista.
