Há algum tempo, o celular foi restringido na sala de aula por lei. A inteligência artificial, porém, está fazendo o caminho inverso: integrando-se à educação como recurso pedagógico. E a IA não apenas distrai, como o celular: ela responde. Rápido, bem escrito e com ares de verdade definitiva.
Em um artigo recente, publicado na revista Communications Earth & Environment, dois pesquisadores da Universidade de Jena, na Alemanha, defendem que a questão não é o quanto o aluno recorre à IA, mas se a universidade o ensina a fazer perguntas que exponham a incerteza, em vez de encobri-la.
O impasse, porém, precede a tecnologia. Muitas tarefas escolares valorizam a capacidade de resumir e organizar o conhecimento, mas deixam de lado dúvidas, contradições e diferentes interpretações sobre o assunto, justamente onde pode estar a parte mais interessante do aprendizado.
Quando esse tipo de pergunta chega a uma IA generativa, ela tende a entregar exatamente o que foi pedido: uma resposta clara e convincente, que reúne diferentes ideias sem revelar as divergências entre elas. O aluno pode acabar achando que existe consenso sobre um tema que, na verdade, ainda divide pesquisadores.
