O Uruguai é considerado um dos países mais seguros da América Latina, mas o aumento da preocupação da população com a criminalidade obrigou seus formuladores de políticas públicas a desenvolver uma nova estratégia “democrática” para enfrentar o problema.
O objetivo é reduzir as taxas de homicídio, ao mesmo tempo em que se afasta deliberadamente das medidas draconianas de segurança popularizadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por seu estilo autoritário.
Embora a repressão implacável ao crime promovida pelo autoproclamado “ditador mais legal do mundo” tenha reduzido significativamente os homicídios em El Salvador, críticos afirmam que isso ocorreu ao custo de encarceramento em massa e da erosão dos direitos democráticos.
O Uruguai, um país que restaurou a democracia em 1985, após mais de uma década sob uma ditadura militar, rejeitou essa abordagem, apesar de muitos de seus vizinhos estarem adotando medidas semelhantes.
“Mais policiais, mais prisões e penas mais severas. Historicamente, essa foi a fórmula para o fracasso. E ela só tornou os problemas ainda piores”, afirma o criminologista Emiliano Rojido, assessor de políticas de segurança pública do Ministério do Interior do Uruguai.
Em vez disso, o Uruguai elaborou um projeto de 10 anos chamado Plano Nacional de Segurança, que busca enfrentar a questão por meio de uma abordagem que envolva todo o governo, em vez de tratá-la exclusivamente como um problema policial.
