A crise institucional que atinge o STF (Supremo Tribunal Federal) começa a chegar ao agronegócio por um canal menos visível que o mercado financeiro: a segurança jurídica de contratos, garantias e processos de recuperação judicial. A avaliação é de Claudio Damasceno, especialista em reestruturação e recuperação judicial e sócio da RGF-BIZDOC, para quem ainda não há evidência de que o conflito dentro do STF esteja afastando investidores ou, isoladamente, encarecendo o crédito do setor.
O problema, segundo ele, é outro: o agro já atravessa uma forte deterioração das condições de financiamento e passa a conviver com uma dose adicional de incerteza institucional.
O diagnóstico ajuda a separar duas questões que podem se confundir no atual ambiente. Enquanto o Ibovespa acumula alta de 6,12% em setembro e o dólar gira em torno de R$ 5,10, o mercado acionário não indica, até agora, uma fuga generalizada de capital provocada pela crise do Supremo.
Para Damasceno, os investidores estão mais concentrados nas expectativas para a eleição de outubro e para o ciclo de queda dos juros, que levou a Selic de 15% para 14% ao ano. No crédito do agronegócio, porém, a situação é diferente porque o setor depende muito menos da bolsa e muito mais de instrumentos de financiamento que levam em conta a qualidade das garantias e a capacidade de pagamento do tomador.
Entenda a crise o STF e o que pode acontecer a partir de agora
Nesse mercado, o aperto começou antes da atual crise institucional.
