Dois grandes compradores de carne brasileira impuseram restrições às exportações do país nas últimas semanas. Aparentemente, os motivos são distintos. Enquanto a China criou um limite e sobretaxa, a União Europeia (UE) suspendeu a compra de carne de boi, aves, ovos e mel porque o Brasil não atendeu às suas exigências sanitárias. Na prática, ambas estão protegendo seus produtores locais, salvaguarda que, no Brasil, foi insuficiente por parte do governo e das entidades do setor.
A China não suspendeu a entrada de carne bovina brasileira, mas criou uma regra estabelecendo que, quando o volume exportado no ano passar de 1,1 milhão de toneladas, haverá sobretaxa de 55%. A quantia já foi atingida e, para os pecuaristas brasileiros, não compensa vender com essa alíquota. O Brasil já sentiu os primeiros impactos. Em agosto, com a China praticamente de fora, as exportações de carne bovina brasileira caíram 22% no volume e 15% em receita, na comparação com o mesmo mês de 2025.
Já a UE suspendeu as importações porque o Brasil não atendeu aos seus requisitos de rastreabilidade que garantem o controle sobre o uso abusivo de antibióticos e antimicrobianos nos bois. O bloco veda esses medicamentos para engorda, autorizando-os apenas para o tratamento de infecções. Para parte do setor, no entanto, a decisão foi política e econômica (como a da China), e não de ordem sanitária.
