Sentada sobre o chão de uma das áreas de floresta no topo de um platô da Serra do Aracá (AM), a entomologista Gabriela Procópio Camacho maneja um canivete para abrir frestas em um tronco de árvore caído. No interior da madeira em decomposição, uma colônia de cupins agita-se sob a luz que passa pela copa das árvores.
Concentrada, a pesquisadora posiciona a ponta de uma mangueira de borracha em um dos buracos abertos no toco de madeira. Ao sugar pela outra ponta do tubo, os insetos são aspirados e ficam retidos em uma pequena antecâmara plástica, vedada com uma fina rede interna. O mecanismo evita que a pesquisadora engula os espécimes,embora esse tipo de acidente ocorra com frequência. Ela busca as rainhas da colônia de cupins, cujos abdomens revelam seu papel reprodutivo.
Os cupins não são o foco de pesquisa da cientista, especialista em formigas. Ainda assim, ela passa horas agachada na terra, sujeita a mordidas de formigas e picadas de moscas-mutucas,frequentes na Serra do Aracá, para capturar os insetos que encontra pelo caminho.
“Essa é uma oportunidade única de coletar. Por isso, quero poder amostrar a maior parte dos insetos que eu conseguir para aproveitar ao máximo a viagem”, disse a pesquisadora à Agência FAPESP, enquanto colocava os espécimes em frascos de vidro com álcool. O material será destinado ao acervo biológico do MZ-USP (Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo), do qual é pesquisadora, para estudo por outros especialistas.
