Em um país de apostas, quando chega setembro, parece que todos os participantes dos grupos de estudo resolvem arriscar um palpite sobre o tema da redação do Enem ao mesmo tempo. O problema é que a coisa quase sempre fica no terreno da aposta, e raramente alguém acerta quando a prova chega.
Para Renato Júdice, diretor pedagógico da plataforma de educação COC, esse talvez nem seja o melhor caminho. Em vez de tentar adivinhar a próxima proposta, ele sugere olhar para as questões que estão movimentando a sociedade. “A manchete envelhece rapidamente; a tensão social que existe por trás dela permanece”, afirma à CNN Brasil.
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Uma enchente, por exemplo, pode ser bem mais do que a notícia de um desastre: revela escolhas de planejamento urbano, desigualdade habitacional e a capacidade de resposta do poder público. É o que está por trás do noticiário, e não a manchete em si, que costuma virar proposta de redação.
A lógica se repete na avaliação de Cristiane Imperador, coordenadora do 9º ano e do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo. Para a professora de Produção Textual, a redação funciona menos como exercício de escrita e mais como espaço para formar leitores do mundo e desenvolver pensamento crítico.
