Um estudo realizado com mais de 2.000 crianças e jovens de São Paulo e Porto Alegre mostrou que uma ferramenta de mapeamento genético pode ajudar a identificar indivíduos com maior vulnerabilidade à depressão e a sinalizar tendências de gravidade da doença da infância até o início da vida adulta.
No trabalho, cientistas vinculados ao CISM (Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental) constataram que indivíduos com maior pontuação nesse escore genético tendem a apresentar um agravamento mais rápido dos sintomas ao longo dos anos. Além disso, quando já diagnosticados com TDM (transtorno depressivo maior), esses jovens demonstram maior suscetibilidade ao que os cientistas chamam de “autolesão não suicida”, que é o ato de causar dano intencional ao próprio corpo -como cortes, queimaduras, arranhões ou pancadas- sem intenção de provocar a morte.
Os resultados, publicados em julho na revista Biological Psychiatry, comprovam a utilidade desse marcador preditivo em populações altamente miscigenadas, como a brasileira. Trata-se de um avanço metodológico importante, visto que a maioria dos estudos sobre o chamado “risco poligênico” se concentra em indivíduos de ancestralidade europeia, o que até então limitava a precisão dessas ferramentas em outros contextos.
