Diante de cerca de mil vozes reunidas na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas (SP), um padre italiano conduz os ensaios com atenção a cada trecho. A mão direita marca tempos e compassos; a esquerda indica entradas e expressão. Basta um músico deixar escapar uma nota para que ele perceba, interrompa a execução, volte ao ponto que precisa de correção e recomece.
O monsenhor Marco Frisina esteve no Brasil para participar, como principal convidado, do 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos, no fim de agosto. Durante três dias, cantores, regentes, pesquisadores, religiosos e músicos de diferentes regiões do país e da América Latina participaram de aulas, ensaios, celebrações e concertos. No sábado, Frisina regeu quase 20 obras, acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Indaiatuba (SP), ao lado de órgão e solistas.
Aos 71 anos, o romano está entre os mais conhecidos compositores contemporâneos de música sacra e pode ser considerado o maior nome vivo do gênero. Formou-se no Conservatório de Santa Cecília, na Itália, foi ordenado sacerdote em 1982 e fundou, dois anos depois, o Coro da Diocese de Roma. O grupo atua, principalmente, nas missas e demais celebrações do papa.
O trabalho de Frisina nasceu de uma inquietação. “Quando comecei, ainda havia aqueles cantos um pouco leves, não escritos de maneira profissional, de uma música em que não havia o coro, não havia o órgão, havia apenas o violão”, disse a Oeste.
