As importações brasileiras de trigo recuaram em agosto, em meio ao avanço da colheita no país. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostra que o Brasil importou 515,6 mil toneladas em agosto, 20,7% menos que as 650,5 mil toneladas registradas em julho.
Porém, na comparação anual, esse volume é 4,8% acima das 492 mil toneladas importadas em agosto de 2025.
“Esse é apenas um ajuste característico do período, porque agora a gente tem a entrada da safra brasileira”, explica Lucilio Alves, pesquisador do Cepea e professor da Esalq/USP.
Segundo o Cepea, o Paraná já está com pouco mais de 20% das áreas colhidas. E a colheita deve se estender em breve também para Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.
Apesar da redução das compras externas, nesse momento pontual, a oferta doméstica de trigo de melhor qualidade segue limitada, o que mantém a dependência do Brasil pela oferta externa e os preços pressionados.
O Brasil reduziu de forma significativa a área plantada com trigo na safra atual, reflexo dos preços baixos observados no início do ano e do temor de perdas provocadas pelo El Niño.
“O trigo é muito sensível às condições climáticas e pode ter perdas de forma muito rápida, por exemplo, com chuvas muito intensas”, afirma Lucílio. De acordo com o pesquisador Lucílio, esse risco combinado a margens apertadas levou produtores a reduzir a área destinada à cultura.
