O dólar pode chegar à reta final de 2026 diante de uma combinação pouco usual. De um lado, o real ainda encontra sustentação em uma das maiores taxas de juros reais do mundo e em um diferencial relevante em relação aos Estados Unidos.
A lógica é que juros mais altos aqui garantem pagamentos de títulos de renda fixa maiores do que o dos EUA, onde se consegue obter um dinheiro com menor custo pelo juro mais baixo.
De outro, a aproximação da eleição presidencial brasileira aumenta a incerteza sobre a política fiscal a partir do próximo ano, enquanto a trajetória dos juros norte-americanos pode reduzir parte da vantagem oferecida pelos ativos de renda fixa brasileiros.
Nesse cenário, a incógnita sobre para onde vai o câmbio não tem uma resposta única. O mercado trabalha hoje com uma cotação próxima da atual para o fim do ano, mas economistas ouvidos pelo CNN Money apontam que a volatilidade tende a aumentar à medida que o pleito se aproxima e que os investidores passem a exigir mais clareza sobre o programa econômico do próximo governo.
O último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central no dia 8 de setembro, mostra essa relativa estabilidade nas expectativas. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 ficou em R$ 5,20. Para 2027, a previsão ficou em R$ 5,30.
A projeção para este ano, no entanto, não significa que o mercado espere pouca oscilação até dezembro. Pelo contrário. Segundo os especialistas, o caminho até lá deve ser turbulento.
