O cientista político e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Marco Antonio Teixeira, afirmou que decisões sobre recursos públicos no Congresso Nacional se tornaram “absolutamente personalizadas” e criticou a concentração de poder nas mãos das presidências das Casas legislativas.
Durante entrevista ao WW Especial, da CNN Brasil, Teixeira citou as emendas parlamentares como exemplo. Segundo ele, no passado, as emendas eram discutidas coletivamente nas comissões, enquanto atualmente os presidentes da Câmara e do Senado concentram maior poder para definir a destinação dos recursos.
“Se você volta lá atrás, as emendas eram coletivas. Eles [parlamentares] brigavam nas comissões, mas chegavam a algum acordo. Hoje, quem detém a capacidade de determinar para onde vai o dinheiro são os dois presidentes das Casas [legislativas]”, afirmou.
“Ficou um grau de discricionariedade para uma liderança ou para outra que tornou esse processo, que deveria ser democrático, público e debatido, absolutamente personalizado, a partir de interesses que a gente não sabe muito bem quais são”, acrescentou.
Teixeira também relacionou a instabilidade atual ao modelo de financiamento eleitoral. Ele lembrou a mudança do financiamento privado, por pessoas jurídicas, para um sistema baseado principalmente em recursos públicos e disse que já há setores favoráveis à retomada do financiamento privado.
