Conversas reunidas pela Polícia Federal mostram integrantes do grupo ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, discutindo a obtenção de dados sobre investigações do Ministério Público Federal, inclusive procedimentos sigilosos.
Em uma das mensagens, Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, afirma que tinha “acesso total e ilimitado” ao sistema do MPF. Em outra, pergunta se era necessário incluir mais pessoas para “puxar os sigilosos”.
A representação da PF no STF afirma que foram usados indevidamente perfis institucionais de 2 servidores do Ministério Público. A investigação ressalva que não determinou se as credenciais foram obtidas por ataque hacker ou fornecidas pelos titulares. Em nota, a Procuradoria Geral da República disse que uma funcionária foi alvo de phishing, um golpe digital, e que o outro funcionário está em análise.
Leia alguns dos diálogos e episódios descritos pela PF.
“SABEM ALGO SOBRE ESSE IPL?”
Em fevereiro de 2024, Vorcaro enviou a Mourão um documento e perguntou:
“Sabem algo sobre esse IPL 500806989.2023.4.03.6181? É da JF de São Paulo?”
Segundo a PF, Vorcaro pediu que Mourão verificasse o caso. Cerca de 40 minutos depois, Mourão encaminhou um áudio de Marilson Roseno, que afirmou já ter feito contato com a “Tropa” e que o grupo daria atenção especial ao pedido.
“AMANHÃ VOU BUSCAR CONSEGUIR ACESSAR”
Em março de 2024, Mourão enviou a Vorcaro uma imagem de uma tentativa de consulta a um inquérito no sistema Único, usado pelo MPF.
