O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse à CNN que a reunião de cúpula do Brics pode ajudar a resolver diferenças entre países rivais na guerra do Oriente Médio, entre outras disputas.
O chanceler está representando o Brasil na reunião que acontece neste fim de semana em Nova Delhi, na Índia, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está envolvido com a reta final da campanha eleitoral.
Em entrevista exclusiva à CNN, Vieira afirmou que o fato de poucos, mas expressivos, países fazerem parte do grupo cria um ambiente favorável para discussões francas e abertas na busca de resoluções de conflitos.
“Não é em qualquer ambiente que você consegue ter isso. O Brics, sendo um grupo reduzido, com 10 países membros, cria esse espaço especial de mais informalidade, mais contato direto para se aplainar diferenças e dificuldades”, afirmou ele ao ser perguntado se a cúpula não seria um teste, visto que reuniria cara a cara países membros que estão em lados opostos da guerra no Oriente Médio, como o Irã e os Emirados Árabes Unidos.
A presença de líderes de países rivais tende a expor as diferenças internas do grupo, que foi ampliado em 2024 e é muito heterogêneo. Vieira vê nisso uma vantagem, afirmando que “o Brics é muito especial e muito favorecido como o espaço de negociação, porque são países em desenvolvimento, em graus, obviamente, diferentes, mas é um grupo reduzido de países que já tem muito contato e onde surge a possibilidade de conversas e de negociação”.
