A expansão agropecuária no Cerrado pode ser acomodada em áreas já abertas, com recuperação de pastagens degradadas e melhor aproveitamento de terras que produzem abaixo de seu potencial, afirma Júlia Mangabeira, diretora do bioma Cerrado da TNC Brasil. Para ela, conciliar produção e conservação é fundamental para preservar a água e as condições ambientais das quais o próprio agronegócio depende.
A avaliação ganha relevância diante de dados do MapBiomas apresentados nesta sexta-feira (11), Dia do Cerrado. Entre 2017 e 2025, a área de vegetação secundária perdida no bioma foi 19,9% maior do que no período de 2007 a 2016. Essa vegetação corresponde a áreas anteriormente desmatadas que estavam em processo de recuperação da cobertura nativa.
Conhecido como a caixa-d’água do Brasil, o Cerrado reúne uma importante fronteira de produção de alimentos e recursos hídricos essenciais para o país. Segundo Mangabeira, proteger essa infraestrutura natural precisa fazer parte da estratégia de desenvolvimento agropecuário.
No bioma, explica a diretora, as mudanças climáticas se manifestam em temperaturas mais altas, redução das chuvas e maior irregularidade das precipitações. Nesse cenário, conservar o solo e favorecer a infiltração e a retenção de água são medidas que ajudam a aumentar a resistência dos sistemas produtivos aos efeitos do clima.
