Um relatório da PF (Polícia Federal) sobre o caso do Banco Master levantou suspeita de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenha atuado para influenciar o voto do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O documento identificou mensagens no telefone de Vorcaro que mostram o interesse do empresário em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, que poderia afetar a carteira do banco.
As informações foram reveladas pela revista Piauí em reportagem publicada na quinta-feira (10).
No julgamento, o STF analisou caso envolvendo a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que cobrava da União indenização por prejuízos causados na década de 1980. O resultado poderia afetar uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios que constava do balanço do Master.
O relatório da PF indicou que Toffoli tinha histórico de decisões favoráveis às usinas em ações do tipo. Dias antes do julgamento, no entanto, o ministro julgou uma ação parecida e votou a favor da União.
O posicionamento preocupou gestores do Master. Em uma troca de mensagens com o diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, Vorcaro teria afirmado: “Estou acompanhando” e “mais do que imagina”. Depois reafirmou: “Tô tratando aqui”.
Na conversa, Kruschewsky também se ofereceu para ajudar a retirar o processo da pauta. Na avaliação da PF, o diretor jurídico aparentava “ter acesso ao STF inclusive para ‘tirar de pauta’ o processo em questão”.
